top of page

LEMOS

RAFAEL

Os 3 níveis de inteligência artificial

  • Foto do escritor: Advogado Rafael Cunha Lemos
    Advogado Rafael Cunha Lemos
  • 6 de abr. de 2019
  • 2 min de leitura

Atualizado: 2 de fev.

Advogado Rafael Cunha Lemos - Inteligência Artificial - Uberaba MG

Ao se falar em Inteligência Artificial (IA), é comum classificá-la em três níveis distintos de desenvolvimento, que se diferenciam conforme o grau de complexidade, autonomia e capacidade de processamento de informações e execução de tarefas.


ANI – Artificial Narrow Intelligence (Inteligência Artificial Limitada)

A ANI representa o nível mais básico e atualmente dominante da inteligência artificial. Praticamente todas as aplicações de IA disponíveis hoje enquadram-se nessa categoria. Trata-se de sistemas capazes de realizar grandes volumes de processamento de dados e cálculos complexos em altíssima velocidade, porém sempre voltados a um objetivo específico previamente programado.


Esses sistemas não possuem capacidade de improvisação, autoconsciência ou compreensão contextual fora de sua função original. Não criam memórias próprias nem utilizam experiências passadas de forma autônoma para fundamentar decisões atuais. Em outras palavras, executam tarefas com eficiência, mas sem compreensão real do que fazem.


São exemplos de ANI: sistemas de IA programados para jogar xadrez, veículos autônomos, filtros antispam de e-mail, assistentes virtuais e smartphones capazes de converter texto em áudio.


AGI – Artificial General Intelligence (Inteligência Artificial Geral)

A AGI, também conhecida como inteligência forte ou human-level AI, corresponde a um nível de desenvolvimento equiparável à inteligência humana. Em teoria, seria capaz de desempenhar qualquer atividade intelectual que um ser humano consegue realizar, dominando múltiplas habilidades de forma integrada.


Sua estrutura permitiria amplo armazenamento de memória, aprendizado contínuo e capacidade de improvisação diante de situações não previstas inicialmente em sua programação. A psicóloga Linda Gottfredson define inteligência geral como a capacidade de:


“Raciocinar, planejar, resolver problemas, pensar de forma abstrata, compreender ideias complexas, aprender rapidamente e aprender com a experiência.”


A AGI estaria diretamente relacionada à chamada Teoria da Mente, isto é, à habilidade de atribuir estados mentais — como crenças, intenções, emoções e conhecimentos — a si mesma e aos outros, aproximando-se de uma compreensão genuinamente humana da realidade.


Atualmente, estamos muito distantes de alcançar esse nível de inteligência artificial, uma vez que ele exige capacidades de processamento, aprendizado e autonomia que ainda superam amplamente as tecnologias disponíveis.


ASI – Artificial Superintelligence (Superinteligência Artificial)

A ASI representa o estágio mais avançado e hipotético da inteligência artificial. O filósofo Nick Bostrom a define como:


“Um intelecto muito mais inteligente do que as melhores mentes humanas em praticamente todos os campos, incluindo criatividade científica, conhecimento geral e habilidades sociais.”


Diferentemente da ANI e da AGI, a ASI não apenas reproduziria conhecimento, mas seria capaz de criar, inovar e se aprimorar de forma autônoma, desenvolvendo sistemas de evolução intelectual superiores aos de qualquer mente humana já existente.


Nesse cenário, a própria existência humana poderia ser colocada em risco, uma vez que a ASI teria a capacidade de se autoprogramar, antecipar variáveis e considerar probabilidades em níveis inalcançáveis para o ser humano — um panorama frequentemente retratado na ficção científica, como no universo de Matrix.


A grande questão, caso esse estágio venha a se tornar realidade, será decidir se estaremos diante da maior evolução da humanidade ou de sua criação mais perigosa. Uma coisa, contudo, parece certa: não há possibilidade de alcançar esse nível tecnológico sem um avanço equivalente nos campos moral e ético. O desenvolvimento da tecnologia e dos valores humanos precisa caminhar lado a lado.

bottom of page