A inteligência artificial na advocacia
- Advogado Rafael Cunha Lemos

- 4 de abr. de 2019
- 2 min de leitura
Atualizado: 2 de fev.

Ao observarmos as transformações no mercado de trabalho diante da constante e acelerada evolução tecnológica, é natural refletirmos sobre os impactos desse fenômeno nas diversas profissões. Quais delas tendem a desaparecer? Quais conseguirão utilizar a tecnologia a seu favor? Quais sofrerão mudanças profundas na forma como são exercidas?
Essas respostas não são simples nem definitivas. Tudo indica que elas dependem menos da tecnologia em si e muito mais da postura adotada por cada profissional diante da inovação.
A forma como se encara a evolução tecnológica — sem medo, sem resistência e com abertura à adaptação — será determinante. Nesse contexto, a criatividade, atributo essencialmente humano, surge como ferramenta indispensável para a identificação de novos caminhos, oportunidades e possibilidades de crescimento.
Atualmente, é cada vez mais comum o debate acerca dos impactos da inteligência artificial na advocacia e no mercado de trabalho. Trata-se de uma realidade concreta, em expansão contínua, cuja presença já se faz sentir em diversos setores, sem qualquer perspectiva de retrocesso.
No campo jurídico, um exemplo emblemático é o ROSS, sistema de inteligência artificial desenvolvido a partir da plataforma Watson, da IBM. Capaz de compreender a linguagem natural e analisar milhares de páginas por segundo, o ROSS auxilia na pesquisa jurídica e na identificação de respostas relevantes sobre temas específicos, otimizando significativamente o tempo de trabalho.
Para profissionais pouco familiarizados com a tecnologia, ferramentas como essa podem ser percebidas como ameaças. Entretanto, para aqueles que se preparam e se adaptam, a inteligência artificial representa, na verdade, um novo aliado — um verdadeiro parceiro na rotina profissional.
O grande diferencial do ser humano em relação às máquinas reside justamente na sua humanidade. Com o suporte da tecnologia e da inteligência artificial, o advogado passa a dispor de mais tempo para se dedicar ao que exige sensibilidade, estratégia, criatividade e contato humano: o atendimento ao cliente, a construção das teses e a análise aprofundada dos casos. As atividades repetitivas, operacionais e mecânicas tendem a ser absorvidas pelas máquinas, liberando o profissional para atuar onde sua atuação é realmente insubstituível.
A relação entre homem e máquina não é uma novidade. No entanto, para que essa convivência se desenvolva de forma saudável, sem comprometer carreiras e profissões, será indispensável que o profissional demonstre interesse em compreender a tecnologia e mantenha uma postura curiosa e aberta ao aprendizado contínuo.



